1) Antes de escolher: faça o “checklist” obrigatório (passo a passo)
- Liste a atividade real (no chão de fábrica/obra/atendimento)
- O que a pessoa faz, por quanto tempo e em quais condições (calor, umidade, altura, poeira, ruído, químicos etc.).
- Identifique os riscos por tarefa
- Ex.: impacto na cabeça, partículas nos olhos, ruído contínuo, poeiras/fumos, corte/perfuração, escorregamento, queda de altura.
- Consulte os documentos certos
- Use o que estiver definido no PGR/PPRA e no LTCAT (e, se houver, inventário de riscos, APR/PT).
- Defina o nível de proteção necessário (não “qualquer um serve”)
- Ex.: PFF1 vs PFF2 vs PFF3; luva para corte vs luva para químico; bota com biqueira vs sem biqueira.
- Valide compatibilidade e conforto
- Um EPI pode “brigar” com outro (óculos embaçando com máscara, abafador atrapalhando capacete, etc.).
- Treine o uso e faça teste prático
- Ajuste, vedação, movimentação, limitações, inspeção diária.
- Crie rotina de inspeção, troca e registro
- Controle de entrega, higienização, vida útil, substituições e ocorrência de incidentes.
2) Classificação por parte do corpo (com aplicações e como escolher)
A) Proteção da cabeça
Itens comuns
- Capacetes
- Capuzes
Quando usar (exemplos de aplicação)
- Risco de queda de objetos, choques em estruturas, impactos e áreas com movimentação de cargas.
- Capuz: risco de respingos, poeiras, frio/calor ou necessidade de cobertura adicional.
Passo a passo de escolha
- Identifique se o risco é impacto vertical, lateral, choque elétrico ou respingos.
- Verifique necessidade de jugular, compatibilidade com abafador, viseira e lanterna.
- Ajuste o tamanho e teste movimentos (olhar para cima, abaixar, girar a cabeça).
- Defina rotina: inspeção de trincas, troca por impacto e limpeza correta.
B) Proteção dos olhos e face
Itens comuns
- Óculos de segurança
- Protetores faciais (viseiras)
- Máscaras de solda
Quando usar
- Óculos: partículas, poeiras, estilhaços, respingos leves.
- Protetor facial: respingos intensos, projeções, atividades com maior risco no rosto.
- Máscara de solda: radiação, faíscas, calor e respingos da soldagem.
Passo a passo de escolha
- Defina o risco principal: impacto, químico, radiação (solda), poeira.
- Escolha o tipo: óculos com proteção lateral, vedado, ou viseira (quando necessário).
- Teste com outros EPIs (máscara respiratória e capacete): verifique encaixe e embaçamento.
- Estabeleça cuidados: limpeza de lentes, troca por riscos/arranhões e armazenamento adequado.
C) Proteção auditiva
Itens comuns
- Protetor auricular tipo plug
- Protetor tipo concha
Quando usar
- Ambientes com ruído acima do tolerável, máquinas, marcenaria, metalúrgica, obras, compressores etc.
Passo a passo de escolha
- Identifique o nível de ruído e o tempo de exposição (conforme avaliação/medição do programa de riscos).
- Se o ruído for alto ou variável, avalie concha; para uso prolongado e conforto, avalie plug (depende do ambiente).
- Faça teste de ajuste (vedação é tudo): encaixe correto no canal auditivo (plug) ou pressão adequada (concha).
- Defina higiene e troca: plug reutilizável exige limpeza; plug descartável tem reposição frequente.
D) Proteção respiratória
Itens comuns
- Respiradores purificadores
- Máscaras PFF1, PFF2, PFF3
Quando usar
- Presença de poeiras, névoas, fumos (ex.: lixamento, varrição industrial, corte, solda, manuseio de materiais particulados).
- Atenção: dependendo do contaminante, pode exigir outro tipo de respirador (o PGR/LTCAT é quem manda).
Passo a passo de escolha
- Identifique o agente: poeira, fumo metálico, névoa, e a concentração (conforme avaliação).
- Selecione o nível (PFF1/PFF2/PFF3) conforme exigência do risco e do programa.
- Teste de vedação e ajuste: máscara mal ajustada perde eficiência.
- Planeje trocas: umidade, saturação, dano, elásticos frouxos e sujeira são sinais de substituição.
E) Proteção dos membros superiores
Itens comuns
- Luvas
- Mangotes
Quando usar
- Luvas: corte, abrasão, calor, químicos, vibração, frio, perfuração (depende do modelo).
- Mangotes: proteção do antebraço contra corte, abrasão, respingos e atrito.
Passo a passo de escolha
- Mapeie o risco principal (ex.: corte vs químico → luvas totalmente diferentes).
- Verifique se precisa de tato/precisão (montagem) ou de robustez (carga/chapas).
- Ajuste tamanho e mobilidade (mão fechando/abrindo, pegada firme sem escorregar).
- Defina uso correto: luva não é “uma para tudo”; mantenha modelo adequado por tarefa.
F) Proteção dos membros inferiores
Itens comuns
- Botas
- Calçados de segurança
Quando usar
- Risco de queda de materiais, perfuração, escorregamento, umidade, produtos químicos, calor, choque elétrico (dependendo do ambiente).
Passo a passo de escolha
- Levante o risco do piso e do entorno: escorregadio, objetos pontiagudos, carga pesada, umidade.
- Escolha o tipo de solado e proteção necessária (antiderrapante, resistente a perfuração, biqueira etc.).
- Prove e caminhe: conforto e estabilidade (um calçado ruim aumenta acidentes e fadiga).
- Inspeção: solado gasto, rasgos e costuras rompidas indicam troca.
G) Proteção do corpo inteiro
Itens comuns
- Vestimentas especiais
- Cinto de segurança tipo paraquedista
Quando usar
- Vestimentas: risco de chama/calor, respingos químicos, poeiras específicas ou ambientes controlados.
- Cinto paraquedista: atividades com risco de queda em altura (junto de talabarte, ponto de ancoragem, etc., conforme procedimento).
Passo a passo de escolha
- Identifique se há risco de queda (altura), calor/chama, químico ou contaminação do corpo.
- Para trabalho em altura: verifique sistema completo (cinto + conexões + ancoragem + procedimento).
- Ajuste no corpo e teste movimentos (agachar, subir, alcançar).
- Inspeção e registro: checar costuras, pontos de ancoragem, deformações e histórico de uso.
3) Regra de ouro (para fechar)
- Nunca escolha EPI de forma genérica.
- A seleção deve seguir o que foi definido e justificado no PGR/PPRA e no LTCAT, considerando risco real da tarefa, compatibilidade entre EPIs, treinamento, e rotina de inspeção/troca.
O uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual vai muito além de simplesmente “entregar um EPI ao trabalhador”. A verdadeira proteção acontece quando cada equipamento é selecionado de forma técnica, com base nos riscos reais da atividade, nos critérios definidos pelo PGR/PPRA e pelo LTCAT, e aplicado de maneira correta no dia a dia.
Ao compreender os tipos de EPI, suas aplicações e o passo a passo para a escolha adequada, a empresa reduz significativamente a ocorrência de acidentes, doenças ocupacionais, afastamentos e passivos trabalhistas. Além disso, demonstra compromisso com a saúde, a segurança e a integridade física dos colaboradores, fortalecendo a cultura de prevenção.
Portanto, investir em EPI não é um custo, mas sim uma estratégia de proteção, conformidade legal e produtividade. Quando bem selecionado, treinado, utilizado e monitorado, o EPI cumpre seu papel essencial: preservar vidas, garantir segurança no trabalho e manter a empresa em conformidade com a legislação.